Averbamento (s. m.): Acto ou efeito de averbar; Nota lançada à margem de um título ou registo; Registo.

30
Mar 11

Há três anos quase, um grupo de 30 jornalistas chegou um belo dia de manhã à redacção do Primeiro de Janeiro e deu com a porta fechada. Não puderam entrar no seu local de trabalho. Na véspera tinham ficado impedidos de aceder aos seus computadores. O patrão - que tem nome e se chama Eduardo Costa - não lhes pagou uma série de salários e deixou-os a contas com dívidas à Segurança Social, dos quais não era culpados, porque muitos contratos eram ilegais.

Durante vários dias desse verão quente sucederam-se os rumores e as notícias, chegando a envolver a própria ERC (que nada pôde fazer). Um dos quais que o jornal encerraria durante o mês de Agosto para reformulação gráfica, voltando no mês seguinte como título gratuito. Outro que o jornal encerraria em definitivo, pondo fim a 140 anos de história. Depois os relatos de que o jornal fechava no fim-de-semana para regressar na segunda-feira seguinte. Ao que se seguiram as notícias de que as edições seguintes, até à tal reformulação gráfica, seriam asseguradas pelos jornalistas de outra publicação detida por Eduardo Costa: O Norte Desportivo, cuja redacção ficava paredes meias com a redacção do Janeiro, forma como é mais conhecido o título.

Mas as surpresas não ficavam por aí. Outra das descobertas do grupo de cerca de 30 jornalistas foi que a entidade que os empregava - a Sedico - se encontrava registada numa morada falsa, pertencente a um antigo stand de automóveis. Uma história com contornos rocambolescos, que na altura relatei. No meio de tudo isto há um espólio enorme que não se sabe ainda muito bem o que lhe vai acontecer.

 

Ontem, quase três anos depois, os jornalistas, que moveram uma acção contra a empresa, pelo despedimento ilegal que sofreram no Verão de 2008, compareceram numa audiência preliminar no Tribunal de Trabalho do Porto. Eduardo Costa não. O caso continua a arrastar-se na Justiça.

Incompreensivelmente, o Estado português -  através do Ministério das Finanças e do Ministério do Trabalho e da Solidariedade Social -, um dos principais credos de Eduardo Costa (que se apresenta, imaginem, credor de si mesmo), nada parece fazer e as dívidas continuam a acumular-se.

publicado por Helder Robalo às 11:16
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28
Mar 11

Passos Coelho não perdoa a Sócrates o que ele fez ao país nos últimos seis anos. Sócrates acusa Passos Coelho de querer conduzir Portugal à ruína ao chumbar o PEC IV. O PS acusa o PSD de dar "cambalhotas" políticas. O PSD acusa o PS de "pugilismo verbal". Um e outro partido, um e outro líder, uns e outros dirigentes políticos, trocam acusações que, em muitos casos, roçam a falta de educação e o desrespeito democrático.

Ainda só passaram uns dias desde o pedido de demissão do primeiro ministro e o ambiente já está como se pode ver. Durante os próximos meses, até às eleições, lá teremos de levar com os jogos baixos políticos, as acusações vergonhosas e as campanhas desleais.

Mas sem preocupações. Lá para os finais de Junho já estará tudo na paz dos deuses de novo e PS e PSD vão continuar, de braço dado, a lutar para obter os melhores pedaços do queijo para si e deixando as migalhas aos desgraçados do povo.

publicado por Helder Robalo às 00:50
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24
Mar 11

Aconselho vivamente o visionamento desta palestra.

publicado por Helder Robalo às 19:32
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Tal como muitos temiam, os mercados não reagiram bem ao chumbo do PEC IV e ao pedido de demissão do primeiro-ministro. As taxas de juro dispararam e bateram recordes. Como se esperava ainda, na Europa aumentaram de tom as vozes que exigem que Portugal recorra o mais rápido possível ao Fundo Europeu de Estabilidade Financeira. A começar pelos nossos vizinhos espanhóis, que temem que os mercados, depois de arrastar Portugal para a ajuda externa, se viram para Castela.

Ouvia ainda há pouco o António Esteves Martins, correspondente da RTP em Bruxelas, recordar que as medidas que compunham o novo PEC tinham o aval e a chancela da Comissão Europeia e do Banco Central Europeu. E ouvira antes que o PSD, chegando ao poder, pondera desde já aumentar a taxa máxima do IVA, o que permite, em tese, reforçar a obtenção imediata de receita. Resta saber o efeito que esse aumento terá no consumo.

No meio de tudo isto, eu, que nunca gostei dos governos de José Sócrates, continuo convencido que as alternativas não o são verdadeiramente e que, na prática, quem vai continuar a sentir no bolso os efeitos da crise.

Resta saber quanto tempo vai demorar até que os senhores do Fundo Monetário Internacional deixem de dar indicações governativas por telefone e venham instalar-se nos gabinetes dos ministérios portugueses. E descobrir - esta rapidamente - quais os verdadeiros efeitos desta crise política.

publicado por Helder Robalo às 13:37

23
Mar 11

Os partidos da Oposição, com a bênção - primeiro em tom bem audível, depois em silêncio - de Cavaco Silva conseguiram aquilo que pretendiam: provocaram a demissão de Sócrates. Já Sócrates, perante a inevitabilidade, fez o que era mais expectável: foi a Belém apresentar a demissão ao Presidente da República. Nada de novo, nada que surpreenda totalmente, desde que Cavaco, à entrada para o segundo e último mandato, mandou às urtigas a cooperação estratégica e se vingou dos ataques do PS encostando o seu líder às cordas perante o olhar atento de todo o País e dos principais líderes europeus. Nada que surpreenda quando se estava perante um Governo sem maioria e forçado a tomar medidas duras para o País e, sobretudo, para os bolsos dos portugueses.

 

A Oposição, como era esperado nos últimos dias, rejeitou novas medidas de austeridade que, supostamente, pretendiam evitar a entrada do FMI em Portugal - alguém acredita mesmo que as anteriores medidas não foram tomadas com o aval do FMI? O Governo, como seria de esperar, dramatizou a questão e acusou os outros partidos de provocarem a entrada do Fundo Monetário Internacional. Passos Coelho, naturalmente, a partir do momento que o primeiro ministro anunciou que sem PEC4 não governaria, posicionou-se como alternativa ao actual Governo. Sócrates, obviamente, bateu com a porta acusando tudo e todos de lhe terem retirado condições para governar, mas mostrando-se disponível para voltar a ser o principal governante português.

 

No meio de tudo isto, que se vai lixar são os trabalhadores, os pensionistas, os pobres, os remediados, aqueles que trabalham de sol a sol para levar para casa uma miséria de salário, mas que, como se vivessem num país rico, vão ter de pagar os custos de uma nova campanha eleitoral. Que, ou muito me engano, ou vai resultar em nova campanha dentro de ano e meio a dois anos, no máximo. Por uma razão simples: não acredito que qualquer um dos partidos consiga, nas urnas, recolher a maioria dos votos dos portugueses.

 

A ver vamos.

publicado por Helder Robalo às 23:04

22
Mar 11

Há em toda esta troca de acusações entre PS e PSD uma certa sensação de um "agarrem-me para eu não lhe bater"... Uma certa sensação de que nenhum dos partidos quer avançar realmente para eleições antecipadas. Não por estar preocupado com o real estado da Nação, mas apenas por não terem a certeza absoluta que ganham as legislativas com maioria absoluta. E até aposto que Passos Coelho aprovaria, de olhos fechados, o PEC se amanhã lhe apresentassem umas sondagens em que os resultados lhe fossem desfavoráveis.

publicado por Helder Robalo às 13:41
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15
Mar 11

Caro Senhor Primeiro Ministro,

 

É com uma enorme alegria dentro do peito que lhe venho agradecer a boa nova que acabei de receber. Então Vossa Excelência, e o Governo que lidera, decidiram reduzir a taxa de IVA aplicada à prática do golfe para os 6%? Acho muito bem. E nem precisava de ouvir uma qualquer justificação para perceber que, naturalmente, essa sua medida tem como grande objectivo trazer a Portugal mais cidadãos estrangeiros, turistas amantes desta modalidade desportiva que, em Portugal, apenas está acessível aos bolsos de empresários, políticos e vários outros senhores que, felizmente, dispõem de capacidade financeira para este desporto tão enraizado na nossa cultura. Para quem não sabe, consta que D. Afonso Henriques, nos seus tempos livres, se entretinha a jogar golfe com a cabeça dos malvados mouros fazendo novo uso da sua majestosa espada.

 

Mas, caro engenheiro, permita uma chamada de atenção - desculpe antecipadamente se pareço pretensioso, pois acredito piamente que já pensou nisso - creio que era importante uma outra coisa: baixar o IVA de alguns bens alimentares, reduzir os impostos sobre os combustíveis e, já agora, repor as SCUT. Repare, não é pelos portugueses. Nós já estamos habituados a viver com cinco tostões e julgar que temos cem no banco. É só mesmo pelos jogadores que vão pretender vir a Portugal jogar. É que, coitados, já viu o preço que eles vão ter de gastar para atestar o depósito de um qualquer Mercedes ou BMW topo de gama? E as portagens se vierem jogar para o Norte? E eles têm de comer, não é? Veja lá isso, está?

 

É claro que sou forçado a admitir que, no fundo, também estou preocupado com a situação dos portugueses. Quer dizer, não vamos querer que os senhores que vêm jogar golfe a Portugal se deparem com uns empregados de bar ou restaurante esqueléticos e mal-humorados. Nem caddies sem forças para conduzir o carrinho ou transportar o saco com os tacos ao ombro. Mas é só por esses mesmo. Porque os restantes senhor primeiro ministro, da maneira como o senhor tem conduzido o país e tem cedido a todo e qualquer pedido das instâncias internacionais, qualquer dia desaparecem do mapa. É que ou morrem de fome ou emigram, na esperança de encontrar lá fora a vida que aqui não conseguem porque vêem cada vez mais reduzidos os salários, as pensões, as comparticipações dos medicamentos e as deduções fiscais, entre vários outros.

 

Mas não se preocupe connosco. A sério. A gente há-de arranjar forma de se virar nem que seja a comer do lixo ou indo viver para outro país qualquer. Importante é que haja oportunidade para que os turistas venham a Portugal com condições simpáticas. Afinal, também consta que em Cuba se faziam férias fabulosas em hotéis de luxo por tuta e meia enquanto os locais, meia dúzia de metros ao lado, morriam à fome.

 

Obrigadinho por tudo e fique bem!

publicado por Helder Robalo às 21:10
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13
Mar 11

É quase enternecedor ver como alguns dos opinion makers da nossa praça procuram desvalorizar o movimento que ontem saiu à rua em várias cidades portuguesas. Pouco interessa, neste momento, se foram 100, 150, 200 ou 300 mil. Foram muitos. Mesmo. A Baixa de Lisboa encheu como não se via desde as manifestações dos professores. A Avenida dos Aliados, no Porto, encheu como não se via desde... bem, desde há muito tempo.

Desvalorizar esta adesão, de todas as gerações e não apenas dos mais novos, é não querer perceber que a sociedade está inquieta, insatisfeita e cansada de políticas que continuam a sacrificar sempre os mesmos. Aqueles que trabalham diariamente e, muitas vezes, deixam metade do seu vencimento num recibo verde.

Interessante de analisar é também o facto de, desde o início este movimento - iniciado no Facebook - se ter apresentado como apartidário, como supra-sindicais e acima de qualquer tipo de organização. Interessante de analisar é também o facto de movimentos considerados mais radicais terem participado de forma absolutamente pacífica na manifestação.

 

Interessante, ainda, é tentar perceber o que vai acontecer no pós-manifestação da "Geração à Rasca".

publicado por Helder Robalo às 12:33
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12
Mar 11

Assim vi hoje os Aliados:

 

 

E a Praça da Batalha:

 

publicado por Helder Robalo às 19:45
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Em dia de manifestações, deixo aqui alguns dados estatísticos retirados do portal do Instituto Nacional de Estatística.

 

População residente por grupo etário (2009)

 

Nível de escolaridade mais elevado completo (2010)

 

Taxa média de desemprego (2010)

publicado por Helder Robalo às 12:56
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