Averbamento (s. m.): Acto ou efeito de averbar; Nota lançada à margem de um título ou registo; Registo.

15
Mar 11

Caro Senhor Primeiro Ministro,

 

É com uma enorme alegria dentro do peito que lhe venho agradecer a boa nova que acabei de receber. Então Vossa Excelência, e o Governo que lidera, decidiram reduzir a taxa de IVA aplicada à prática do golfe para os 6%? Acho muito bem. E nem precisava de ouvir uma qualquer justificação para perceber que, naturalmente, essa sua medida tem como grande objectivo trazer a Portugal mais cidadãos estrangeiros, turistas amantes desta modalidade desportiva que, em Portugal, apenas está acessível aos bolsos de empresários, políticos e vários outros senhores que, felizmente, dispõem de capacidade financeira para este desporto tão enraizado na nossa cultura. Para quem não sabe, consta que D. Afonso Henriques, nos seus tempos livres, se entretinha a jogar golfe com a cabeça dos malvados mouros fazendo novo uso da sua majestosa espada.

 

Mas, caro engenheiro, permita uma chamada de atenção - desculpe antecipadamente se pareço pretensioso, pois acredito piamente que já pensou nisso - creio que era importante uma outra coisa: baixar o IVA de alguns bens alimentares, reduzir os impostos sobre os combustíveis e, já agora, repor as SCUT. Repare, não é pelos portugueses. Nós já estamos habituados a viver com cinco tostões e julgar que temos cem no banco. É só mesmo pelos jogadores que vão pretender vir a Portugal jogar. É que, coitados, já viu o preço que eles vão ter de gastar para atestar o depósito de um qualquer Mercedes ou BMW topo de gama? E as portagens se vierem jogar para o Norte? E eles têm de comer, não é? Veja lá isso, está?

 

É claro que sou forçado a admitir que, no fundo, também estou preocupado com a situação dos portugueses. Quer dizer, não vamos querer que os senhores que vêm jogar golfe a Portugal se deparem com uns empregados de bar ou restaurante esqueléticos e mal-humorados. Nem caddies sem forças para conduzir o carrinho ou transportar o saco com os tacos ao ombro. Mas é só por esses mesmo. Porque os restantes senhor primeiro ministro, da maneira como o senhor tem conduzido o país e tem cedido a todo e qualquer pedido das instâncias internacionais, qualquer dia desaparecem do mapa. É que ou morrem de fome ou emigram, na esperança de encontrar lá fora a vida que aqui não conseguem porque vêem cada vez mais reduzidos os salários, as pensões, as comparticipações dos medicamentos e as deduções fiscais, entre vários outros.

 

Mas não se preocupe connosco. A sério. A gente há-de arranjar forma de se virar nem que seja a comer do lixo ou indo viver para outro país qualquer. Importante é que haja oportunidade para que os turistas venham a Portugal com condições simpáticas. Afinal, também consta que em Cuba se faziam férias fabulosas em hotéis de luxo por tuta e meia enquanto os locais, meia dúzia de metros ao lado, morriam à fome.

 

Obrigadinho por tudo e fique bem!

publicado por Helder Robalo às 21:10
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