Averbamento (s. m.): Acto ou efeito de averbar; Nota lançada à margem de um título ou registo; Registo.

06
Out 10

Ele há coisas que tenho dificuldade em perceber. Já nem digo aceitar, fico-me pelo perceber. Depois de ouvir Almeida Santos dizer que "o povo tem que sofrer as crises como o Governo as sofre", acreditava que pouca coisa mais me poderia surpreender. Mas, como pouco ainda é alguma coisa, Ricardo Gonçalves, deputado do PS, saiu-se à dias com aquela que é, para já, o tiro do ano no pé.

Procurando, talvez, mostrar como as medidas anunciadas pelo Governo não são apenas para afectar o povo em geral, o parlamentar socialista disse, ao Correio da Manhã, que os deputados são dos que mais “dinheiro perdem” com as medidas de austeridade apresentadas pelo Governo. E justificou de seguida: "Estamos a atravessar um momento difícil, foram tomadas medidas muito duras e, obviamente, que sendo neste momento deputado sou dos que perde mais dinheiro". E acrescentou: "Se abrissem a cantina da Assembleia da República à noite, eu ia lá jantar. Eu e muitos outros deputados da província. Quase não temos dinheiro para comer". Explicando de seguida: "Tenho 60 euros de ajudas de custos por dia. Temos de pagar viagens, alojamento e comer fora. Acha que dá para tudo? Não dá", referiu Ricardo Gonçalves.

 

Eu, olhando para isto, e já nem falo no meu salário que não é grande coisa, penso naqueles muitos que têm de se governar com 475 euros por mês e abonos de família mais baixos do que as ajudas de custo do senhor deputado. E quero acreditar que Ricardo Gonçalves não está a gozar com a cara desses milhares de portugueses que descontam diariamente para pagar ao senhor deputado o seu mísero salário de 3700 euros, mais as ajudas de custo.

 

Por isso deixo um conselho: Senhor deputado, se as coisas estão assim tão mal, demita-se do cargo que ocupa e volte para a província de onde veio. Verá que, aí, conseguirá sobreviver bem melhor com todo o manancial de equipamentos sociais, médicos e educativos que o seu governo e outros tão diligentemente construíram nas duas últimas décadas.

publicado por Helder Robalo às 19:45

01
Out 10

Há uma semana, em Nova Iorque, o primeiro ministro dizia parecer-lhe "que decorre do bom senso político que, quando um Governo não tem um Orçamento aprovado, também não tem condições para governar, ainda para mais na actual conjuntura".

Ontem, dançando por entre as palavras, como tão habilmente sabe fazer, José Sócrates garantia no Parlamento que não vira a cara à luta. "Nunca virei a cara à luta e nunca me passou pela cabeça qualquer intenção de me ir embora. Nunca, em nenhuma circunstância. Pelo contrário, estou aqui para cumprir o meu dever", afiançou.

 

Muitos podiam dizer que José Sócrates mentiu. Que deu o dito por não dito. O próprio jogando com o sentido das palavras como tão bem sabe, garante que são coisas diferentes e que nunca disse que se demitia se o Orçamento para 2011 não fosse aprovado. Apenas não tinha condições para governar.

 

Serenos e pacientes, nós, portugueses, continuamos tranquilamente a assistir a tudo isto. Revoltados, para dentro. Barafustando, nas redes sociais e nos cafés.

 

O povo é sereno, já dizia o outro.

publicado por Helder Robalo às 11:57
Averbamentos:

Outubro 2010
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2

3
4
5
6
7
8
9

10
11

17
18
19
20
22
23

24
25
26
28
30

31


comentários recentes
Não descontassem no salário e a adesão era bem mai...
Claro que aprovaria. Isto de decidir conforme os v...
o teu blog é muito bom vem visitar o meu
Fernando,Convido-o a visitar este meu outro espaço...
Obrigado :)
Parabéns pelo destaque :)
A cultura deve ser preservada a todo o custo. Por ...
Caro Pedro, obrigado pelo aviso e pelo destaque.Ab...
Mas se ao invés de o bloqueio ser não abastecer ne...
Bom dia,O Bloco de Averbamentos está em destaque n...
mais sobre mim

ver perfil

seguir perfil

9 seguidores

pesquisar neste blog
 
Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

subscrever feeds
blogs SAPO