Assisti ontem com algum interesse ao tão anunciado debate com os quatro candidatos a líder do PSD. Assisti e quase desisti tal a má qualidade do debate. Das ideias de Castanheira de Barros pouco fiquei a conhecer. Além de o senhor ter pouco traquejo para esta coisa dos debates de televisão, o candidato out-sider foi constantemente interrompido pelos outros candidatos e pela própria moderadora/entrevistadora.
Quando a Passos Coelho, tem o mérito de saber jogar com o espaço televisivo, embora, por vezes abuse um pouco da demagogia com o intuito de chegar às massas do partido. E estragou tudo com aquela coisa do "deve-se demitir o Procurador Geral da República, mas o PSD não deve demitir" (ou algo muito parecido com isto).
Paulo Rangel, uma espécie de D. Sebastião para muitos dos ditos "barões" do partido, andou dividido entre as críticas ao PS e ao (des)governo de Sócrates (mas nunca assumindo, claramente, que quer demitir o Governo PS) e as críticas aos outros candidatos, aliando-se, por vezes, a Aguiar-Branco na tentativa de encostar Passos à parede e tentar descredibilizar o candidato que supostamente lidera as sondagens internas. Nomeadamente com a questão do apoio a uma recandidatura de Cavaco Silva à Presidência da República.
Pior este Aguiar-Branco. Dado como, dos três principais candidatos, o que se encontra em pior situação nas preferências do partido, preferiu passar grande parte do tempo armado em menino desgraçado a quem todos tentam prejudicar e afastar da campanha. Teve mesmo momentos, como aquela do "trouxe aqui as assinaturas para o Rangel as contar" (logo no arranque do debate), em que se assemelhou assustadoramente a Santana Lopes.
Contas feitas, quem saiu a ganhar deste debate, claramente, foi o actual primeiro ministro que chegou à conclusão que, de momento, o PSD ainda não tem um candidato para lhe fazer frente. Além do mais, creio que ficou claro que logo após as eleições se vai instalar no seio dos sociais-democratas o clima de guerrilha interna a que nos habituamos nos últimos dez anos.
No meio de tudo isto, saiu claramente a perder o País. Num momento em que o governo PS parece desorientado e sem saber muito bem o que fazer - mesmo no seu seio à fortes críticas de históricos à liderança de Sócrates -, a alternativa mais "viável" na Oposição parece não ser alternativa.